28 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher



No mês de março, a data do dia 8 no calendário não passa desapercebida como várias outras alusivas à temas que merecem ser ressaltados ou comemorados para reforçar a sua memória e não cair no esquecimento.

Sem levar em consideração os fatos históricos que originaram o Dia Internacional da Mulher, tomaremos como referencia o que era sugerido pelos movimentos feministas nas primeiras décadas depois dos anos 60. Uma mulher, para afirmar sua independência, renunciaria à maternidade e ao próprio desejo sexual (desejar um homem); condições que passaram a ser consideradas de submissão ao homem e ao patriarcado. Muitas vezes simbolizavam estes protestos queimando sutiãs em praças públicas. Sua reinvidicação era sair do privado, onde ocupava o lugar de "rainha do lar" ao exercer as funções de esposa e mãe.

Não há como negar que, na atualidade, o espaço que a mulher ocupa expandiu-se para além das fronteiras do privado. Com suas competências, não só dirigem caminhões nas rodovias transportando cargas como também ocupam cargos de dirigentes de nações.

Vale lembrar que fazem questão do sutiã, preferencialmente de modelos que possam ressaltar este atributo físico, alvo da cobiça do universo masculino.

A maternidade, tiram de letra, podendo escolher a data e/ou o sêmem para uma "produção independente", que melhor se adeque a mais este ideal para preencher seu vasto currículo. Fazem questão e amamentar seus bebês, aprendendo todas as regras e normas nos cursos de amamentação, com a garantia de que a aparência de suas mamas serão reparadas pelas próteses de silicone.

Se avaliarmos a mulher de hoje pelas manchetes das capas das revistas, "A Mulher" ideal existe e nada parece lhe faltar. No entanto, há uma pergunta que não quer calar, desde Freud: "O que quer a mulher?". Questão que nos conduz a pensar a feminilidade pela via da psicanálise.

Impulsionado pelo desejo de saber o que seria específico do feminino, Freud iniciou sua clínica tentando escutar as histéricas, e com esta escuta inventou a psicanálise. Ao admitir um não saber, pode construir sua teoria, dando voz e vez àquelas que lhe pediam para que se calasse e as escutasse.

Esta teoria foi apropriada por Lacan que, a partir de sua tese sobre o estudo da paranóia, avançou nos estudos freudianos e desenvolveu o que ele chamou de "Estadio do Espelho", fase em que a criança muito cedo identifica-se com a imagem que vê de si no Outro primordial, a mãe. O mundo dos nossos objetos, portanto, são constituídos a exemplo da imagem apreendida como eu(moi) e como objeto do desejo da mãe,uma imagem sustentada pelo desejo da mãe que é Outro.Uma intrusão primeira, desconhecimento paranóico que forma uma imagem ideal(eu ideal),ilusão aprisionante, mas condição primeira (recalque originário) do falasser que, para se dizer humano, também precisa se apropriar da linguagem que é própria da cultura, o simbólico.

A sexualidade do falasser, macho ou fêmea, é ordenada pelo significante fálico, representante do recalque originário.A anatomia e os fenômenos fisiológicos não são experimentados em estado bruto, mas mediados pela linguagem e simbolizados, obedecendo uma determinação significante na sexuação graças ao valor fálico atribuído pelo Outro primordial.

A saída do Édipo, função normativa ou mesmo tipificante na assunção da posição masculina /feminina ,do lado do menino reconhece as insignias do pai que são da ordem de um traço de identificação paterna que possa lhe garantir uma "virilidade por procuração", da qual fará uso para abordar outra mulheres. Tal qual seu pai, ele próprio passou pela castração, lei que vale para todos seres masculinos e funda a classe dos homens.

Para a menina, do lado da mãe há carência de traço que seria específico da feminilidade,"mas na especificidade de privação do traço(Melman,C. O que quer uma mulher,in Ensino Lacaniano-Coletânea.1985-pag 60),"se queixa de estar privada de um orgão que atestaria sua feminilidade ". Nesta busca, que é constatada pela curiosidade e atenção que as mulheres exercem entre si, na busca deste traço que atestaria sua feminilidade, suporte de uma identificação imaginária, na identificação simbólica",vive assim regularmente em falta em relação à "A Mulher" que ela pensa dever ser.

Movimento que a coloca num paradoxo de sua reenvidicação ,tentando se fazer existir e ouvir como A mulher, toda, sem faltas. O que nos remete aos ilustrativos seriados televisivos: de "Meninas superpoderosas " à " Desesperates house wives".

Mas, se com Lacan concebemos que o "rochedo da castração" está para além, no Real, no que funda o recalque originário, a posição d'A mulher toda é reinvidicação imaginária da neurose, a falta é da ordem da estrutura, que abre a possibilidade de desejo e de satisfações parciais.Também com lacan aprendemos que o objeto é causa do desejo (objeto a).Da condição da "falta em ser" do sujeito, e de se asujeitar a ser objeto do gozo do Outro, identificado ao significante fálico é que pode advir como falasser.

Lacan sublinhou no seminário "As formações do inconsciente" que só existe uma maneira de desejar,qualquer que seja o sexo. pois trata-se de uma condição de estrutura, o destino do falasser:..."se pode perguntar se existe radicalmente outro desejo que não seja o histérico, desejo de desejo insatisfeito"(Andrè,Serge; O que quer uma mulher, p.204).

Freud, um bom neurótico conduzido por um não saber, inventou a psicanálise, também submetido ao enigma do falasser,"che vuoi?"(o que o Outro quer de mim?).O legado Freudiano que hoje norteia nossos não saberes e que coloca os psicanalistas neste trabalho permanente nos leva a concluir que a arte de viver está em construir se no desejo de desejo, cada um se responsabilizando pela suas próprias escolhas," o dono ou a dona de sua história".

26 de março de 2011

ATENÇÃO! Novas datas de seminários em Londrina!

O Ato Analítico novamente estará em Londrina ministrando Seminários de Psicanálise . 
Clique aqui para acessar o folder com o novo cronograma e as informações sobre inscrições!

20 de março de 2011

Congresso Internacional sobre Autismo

O Congresso Internacional sobre Autismo: prevenção, intervenção e pesquisa é uma inicitava da Associação Psicanalítica de Curitiba, sociedade científica sem fins lucraticos cujo objetivo é promover o ensino e a transmissão em psicanálise.
Com mais de 10 anos de experiência, a APC alcança sua maturidade institucional lançando-se a um desafio maior, o de convocar a comunidade científica a se debruçar sobre o tema do autismo infantil precoce.

Clique sobre a imagem abaixo para acessar o folder do evento:

7 de fevereiro de 2011

ATIVIDADES 2011

Dando continuidade à transmissão da psicanálise freudo-lacaniana na cidade de Maringá, convidamos a todos aqueles que se interessam pela formação psicanalítica e que não recuam diante da complexidade que caracteriza essa práxis, a participar das atividades propostas para 2011:

Clique aqui para acessar a programação.


LIVROS - DESCONTOS ESPECIAIS DE VERÃO!!!

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Interessados favor entrar em contato conosco através do e-mail: atoanalitico@gmail.com
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Livro: O Desejo Contrariado
Autor: Robert Lévy



Ensaio sobre a impossível transmissão em psicanálise.

Polêmico este livro parecerá apenas como acréscimo .A psicanálise tem um inimigo :a religião do sentido , o sentido como religião ,escandalosa equivalencia  cuja definição Lacan havia dado.Doravante,o texto de Lacan,com frequência percebido como legado do pai morto ,mais que como letra viva a ser transmitida ,se resolve como ideologia ou como logomaquia escolástica.

Este livro nada mais é ,portanto ,que uma operação de desnudamento ,de desobstrução da estrutura do sentido que tolhe a transmissão da psicanálise ,com o que isso faz sobressair como possibilidade de leitura nova do texto ,texto do analisante ,texto da história deste século.


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Livro: Dependência Química na Adolescência
Organizador: Hélcio F. Mattos



Essa perspectiva de pensar o tratamento como um processo através do qual tentamos ,de forma sistemática,aumentar os fatores de proteção e reduzir os de risco aumenta as oportunidades ,pela repetição dos acontecimentos e dos procedimentos ,de ocorrer algumas situação que seja representada pelo paciente como um ponto de virada na sua trajetória.além disso poderíamos  usar como critério de importância o valor que podemos atribuir ao custo social de uma vida perdida pela exclusão.quanto representa o fato de alguns adolescentes deixarem a carreira de criminalidade ?por menores que sejam o número de mortes evitadas poderíamos atribuir um preço aos prejuízos sociais e comparar com os custos do tratamento? Será  que a melhor política é deixar esses adolescentes entregues à  própria sorte ?

Um serviço isoladamente ,pouco contribui,porém a constituição de uma metodologia capaz de integrar outros serviços pode representar uma modificação significativa  no tratamento de adolescentes dependentes químicos ,permitindo ,ao mesmo tempo,a prevenção do uso  de drogas  e da violência.



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Livro: Paranóia - "Aimée" de Lacan
Autor: Jean Allouch



AO PERMITIR QUE MARGUERITE ANZIEU NÃO FIQUE MAIS AUSENTE POR TRÁS DE AIMÉE,DEDIER ANZIE ABRE CAMINHO MPARA UMALEITURA CRÍTICA DO CASO "AIMÉE" E DE SUAS CONSEQUÊNCIAS.aINDA HOJE,O ENCONTRO DA MARGUERITE ANZIEU  E JAQUES LACAN MARCA COM SEU SELOA PSICAÁLISE E A PSIQUIATRIA FRANCESAS.
DO PRESENTE ESTUDO,PUBLICADA PELA PRIMEIRA VEZ EM 1990,PODE SE DIZER QUE ELE SE ORIGINA ,NÃO TANTO DA HISTÓRIA DA PSICANÁLISE,SE NÃO DE UMA HISTÓRIA ANALÍTICA NO SENTIDO EM QUE ANÁLISE É HISTÓRIA.UMA HISTÓRIA NÃO FOSSILIZADA,DE QUE TESTEMUNHA O FATO DESTA SEGUNDA EDIÇÃO COMPORTAR IMPORTANTES PRECISÕES ,RETIFICAÇÕES E ANÁLISES SUPLEMENTARES.

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Livro: O Próximo - Enlaces e desenlaces do gozo
Autor: Isidoro Vegh



COM TOM COLOQUIAL E HÁBIL CRESCENDO DA FORÇA TEÓRICA,O AUTOR ELUCIDA OUTRO CONCEITO NÃO MENOS PERTURBADOR;NESTE CASO ,DE LACAN:"O PRÓXIMO É  A IMINÊNCIA INTOLERÁVEL DO GOZO".ATÉ CHEGAR A UMA AFIRMAÇÃO DO PRÓXIMO COMO ENODAMENTO QUE PODE AJUDAR A SE CONSTITUIR,A SE REENCONTRAR COM A DIMENSÃO DE SEU PRÓPRIO SER E ACHAR O MELHOR DESTINO PARA SEUS GOZOS.

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Livro: A Morte e o Imaginário na Adolescência
Autor: Silvia Tubert


A PARTIR DE UMA CRÍTICA À CONCEPÇÃO PRÉ- FREUDIANA DA PUBERDADE COMO "FASE EVOLUTIVA', A AUTORA PROPÕE CONSIDERAR A ADOLESCÊNCIA COMO UMA ESTRUTURA MÍTICA NA QUE NA  DEFRONTAÇÃO COM A MORTE PELA PRÓPRIA SEXUALIDADE É CRUCIAL .A "METAMORFOSE DA PUBERDADE"INCLUI,JUNTO ASO INTERJOGO DE IDENTIFICAÇÃO  E CORTE ,A SITUAÇÃO DO SUJEITO NA CADEIA GERACIONAL ( QUE PRESSUPÕE A MORTE0E NA DIFERENÇA DOS SEXOS.MAS A MORTE EMERGE NO REGISTRO DA REPETIÇÃO ,NA QUAL SE INSCREVE  A ADOLESCÊNCIA.

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Livro: Escrita e Psicanálise
Organizadores: Ana Costa / Doris Rinaldi


OS TRABLHOS AQUI PUBLIDADOS ABORDAM AS ARTICULAÇÕES ENTRE ESCRITA E PSICANÁLISE POR VÁRIOS CAMINHOS .DESDS SUA INTERFACE MAIS EVIDENTE COMA LITERATURA ,SEUS DIÁLOGOS COM AUTORES, OBRAS E ESTILOS ,PASSANDO PELA RELAÇÃO DIRETA COM A LINGUAGEM,SUA ESTRUTURA E FORMAÇÕES DO INCONSCIENTE,PELA ESCRITA NO CORPO ENQUANTO PULSÃO E MESMO AS AS TRAMITAÇÕES PELO SINTOMA  E PELA IMIGRAÇÃO .OS AUTORES DESDOBRAM ESTES ELEMENTOS,BUSCANDO AVANÇAR TANTO NA ABORDAGEMDA CLÍNICA PSICANALÍTICA,QUANTO NA INSCRIÇÃO DA PSICANÁLISE NA CULTURA.

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Livro: Reflexões sobre a Questão Gay
Organizadores: Didier Eribon




DIDIER ERIBON PROPÕE AQUI UMA SÉRIE DE REFLEXÕES QUE SE DESDOBRAM DE ACORDO COM TRÊS EIXOS .PRIMEIRO ,UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA VIVIDA ,NA QUAL PROCURA ENTENDER COMO UM LUGAR INFERIORIZADO  É ATRIBUÍDO  AOS HOMOSSEXUAIS  NA SOCIEDADE  E COMO  ESTES TÊM  A SUBJETIVIDADE MARCADA .eM SEGUIDA ,PROCURA RESTITUIR ETAPAS CRUCIAIS DA CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE  GAY  MODERNA NO SÉCULO XIX,A UM SÓ TEMPO NA CULTURA POPULAR .ESTUDA ,ENTÃO .COMO O PROCESSO DE OSCAR WILDE PÕS UM TERMO PROVI´SORIO NA EMERG~ENCIA DESSE USO DA PALAVRA ,E COMO POSTERIORMENTE ALIMENTASUA RESURGENCIA ,EM GIDE E PROUST NOTADAMENTE.ENFIM ,PROCURA COMENTAR OS TEXTOS DE MICHAEL FOUCAULT SOBRE TODAS ESSAS QUESTÕES INTERROGANDO-SE SOBRE  OQUE PODE SER HOJE UMA" CULTURA GAY".


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Livro: Separações Necessárias - Memórias
Autor: Emílio Rodrigué



O LEITOR ENCONTRARÁ NESTAS PÁGINAS UM APANHADO QUE TRAZ EXPERIÊNCIAS  DE ANALISTA  E EXPERIÊNCIAS PESSOAIS.EMILIO RODRIGUÉ É PSICANALISTA ,ARGENTINO,SEU PERCURSO ENVOLVE,COMO TODOS OS QUE NA ÉPOCA LIDARAM COM A PSICANÁLISE-PARTICULARMENTE OS ARGENTINOS-,A PASSAGEM POR MELAINE KLEIN .È UM PERCURSO MARCADO POR IDAS E VINDAS ,MAS SEMPRE NORTEADO POR ALGO QUE PODERÍAMOS CHAMAR ,TALVEZ,DE "TEMPERAMENTO INQUIETO".

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Livro: A clínica de Escrito
Autor: Jean Allouch



COM SUA REINSCRIÇÃO NUM OUTRO LUGAR (A OPERAÇÃO ANALÍTICA EFETIVA0,O SER QUE PODE LER SEU TRAÇO SE FAZ "DEPENDENTE DE UM OUTRO CUJA ESTRUTURA NÃO DEPENDA DELE".ESTA FÓRMULA DE JAQUES LACAN SITUA A CLÍNICA  ANALÍTICA -UMA CLÍNICA DO ESCRITO-COMO SENDO A DOS AVATERES DESSA  DEPENDÊNCIA.PERCORRENDO AQUI SUAS DIVERSAS FORMAS (TOXICOMANIA,HISTERIA,FOBIA,FETICHISMO,PARANÓIA),VEREMOS DESTACAR-SE A INSTÂNCIA DA LETRA COMO TRANSLITERAÇÃO.


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Livro: Narrativas do Brasil - Cultura e Psicanálise
Autor: Vários Autores



ENSAIOS E ARTIGOS QUE BUSCAM RECONHECER O BRASIL MÚLTIPLO,SINCRÉTICO,DESIGUAL ,SEM ABRIR MÃO DO COMPROMISSO COM A VERDADE.
MEMÓRIA ,IDENTIDADE,MAL-ESTAR E SINTOMA.O INVENÇÕES DO BRASIL DISCUTIDAS DESDE OS MAIS DIVERSOS CAMPOS ,BUSCANDO ATUALIZAR AS ORIGENS E O FUTURO.

O INCONSCIENTE É UM SABER .CONHECER O BRASIL É PESQUISAR ESTE SABER QUE NÃO SE SABE .COM SABER E SABOR.SAVOIR-FAIRE.


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Livro: A Masculinidade
Autor: Vários Autores



O corpo masculino deixou de ser imaginado como a encarnação da potência por sua própria natureza .
O falo circula com infinitas máscaras ,até mesmo com cara de mulher.Se o pênis não é mais o representante do falo,se a relação tangencial com a morte não é mais prova da virilidade ,se o homem já não pode tirar a sua identidade de uma oposição imaginária entre o forte eo fraco ,onde reside atualmente a masculinidade?


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Livro: Psicologia Clínica
Autor: Vários Autores





CASAL E FAMILIA: TEORIAS E PRÁTICAS COMTEMPORÃNEAS

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Livro: O Olhar e a Voz
Autor: Paul-Laurent Assoun




O que é do olhar e da voz na  experiência freudiana?
A psicanálise interroga esta dupla pertinencia  do sujeito inconsciente à ordem do visível ( e do invisível) e à ordem da palavra (e do silêncio)
As primeiras lições reconstituem as emergências destes dois objetos pulsionais .a partir da cegueira  e da afonia histéricas ,desenham-se as tribulações das pulsões escópica e vocal ,depois as colocações em cenas originárias da separação ,da castração e da sedução
A seguir ,desenrolam-se as figuras clínicas -olhar clivado  da perversão ,voz da psicose- e os quadros sociais e estéticos ,avesso do sintoma.O "amor à primeira vista " e das "vozes da paixão" permite interrogar as potências do olhar e os poderesda palavra ,do amor de trans ferência ao Édipo feminino.


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Livro: Adolescência: um problema de fronteiras
Prólogo de Alfredo Jerusalinsky


Sempre teremos esse deslocamento dos jovens para as margens ,já que são essas margens as que oferecem uma posição onde a lei faz seu remanso ,seu redemoinho de identificações .Recusa de aceitar a imperfeição de um mundo em que a rigidez do jurídico mal recobre as falhas de uma simbólica que demanda ser reinventada.





24 de janeiro de 2011

SOBRE A FORMAÇÃO DO ANALISTA


Angela Valore*

Em suas “Novas Conferências”, Freud afirmava que “não tem o direito de se envolver com a psicanálise aquele que não adquiriu, em uma análise pessoal, as noções precisas que somente essa é capaz de oferecer”. Recomendação cujo peso parece, em nossos tempos, assim como é o caso da maioria das nossas leis, encontrar-se preocupantemente relativizado, ou francamente substituído por referências mais ligeiras. Mais como está na moda.

Entretanto, trata-se de um pressuposto ético, a ser tomado com todo o rigor, cujas conseqüências devemos reconhecer. Entre elas, a primeira e sem dúvida a mais grave, define de modo radical o verdadeiro lugar de formação do psicanalista: o divã.

É na análise pessoal que se adquirem as “noções precisas” e também aquilo de que se autoriza um analista, o que dá a alguém o direito de se meter com a psicanálise. Não são os anos passados nos bancos das escolas, ainda que sejam marcados pelos mais sérios estudos.

Lacan alertava que a psicanálise é um remédio para a ignorância. Mas que nada pode contra a idiotice. O que nos impõe concluir que ambas, idiotice e ignorância, pertencem a campos diferentes, mais ainda, que esta última pode ser entendida como uma condição para a psicanálise. Idiota seria, portanto, aquele que não sabe que ignora, tanto quanto o que supõe saber. Para ele, a psicanálise nada tem a oferecer. Já aquele que é capaz de reconhecer que ignora, de supor um saber Outro, estaria vacinado contra a idiotice e a princípio, apto à cura analítica. E, portanto, a suportar as exigências do percurso que leva da posição de sujeito dessa cura à função da escuta que a conduz.

A ética, que nos concerne a todos, coloca diante de nós, a cada passo, a questão “agiste conforme o teu desejo?” de cuja resposta depende a nossa posição na manutenção do discurso analítico. A máxima proposta por Lacan como condição primeira de haver analista, “não ceder do seu desejo”, é uma exigência cujas garantias não podem, em absoluto, ser obtidas a não ser numa análise pessoal.

Se não há analista fora do alcance dessa máxima ética da psicanálise, vê-se bem o que faz um psicanalista. E onde.

Lacan dizia que o analista ocupa o lugar do morto já que ele está ali para oferecer o semblante de que o outro precisa para falar. Não é um lugar fácil de ocupar esse, destituído de consistência e cuja condição é o des-ser, para a qual nenhuma formação prepararia não fosse a análise. Quer dizer, o que é sustentar o ato analítico não se aprende em livros.

Conta-se que Salvador Dali, querendo provocar seus interlocutores, compareceu a um evento com um esparadrapo no nariz. Muito depois, perguntou a Lacan porque este não havia dito nada quando o encontrou com o esparadrapo. E concluiu: “É fantástico, você foi o único a não dizer nada.” A esse respeito, A. Jerusalinsky afirma que o dizer nada fez o laço, o que solda o analisante ao par analisante-analista e conclui que “do real, apenas o recorte que nos permite a intersecção borromeana. Um resto. Mais nada. É disso que o analista é semblante.”

É ainda Jerusalinsky quem nos lembra que, apesar do imaginário popular, que nos representa como as pessoas mais estáveis, os analistas nem de longe são as pessoas mais tranqüilas, como o testemunham “suas biografias, seus amores, as migrações, as cisões, a circulação por diferentes auditórios, cidades...a curiosidade de percorrer os diferentes âmbitos do conhecimento...

É que é assim que o analista transmite que nada está resolvido e que isso não é um mal. E transmite também que a formação pode ser interminável, na medida em que o analista sabe que o inconsciente não tem fim.

* Angela Valore - psicanalista,presidente e membro-fundadora da LETRA-Associação de psicanálise; analista-membro da Association Lacanienne Internationale (França), Professora na graduação e pós em psicologia e psicanálise na UTP e na PUC-PR.

30 de novembro de 2010

Entrevista com Charles Melman!!!

Clique aqui para ler a entrevista com Charles Melman publicada na revista ISTO É no dia 22 de setembro de 2004.