7 de fevereiro de 2011
ATIVIDADES 2011
LIVROS - DESCONTOS ESPECIAIS DE VERÃO!!!
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Livro: O Desejo Contrariado
Autor: Robert Lévy
Ensaio sobre a impossível transmissão em psicanálise.
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24 de janeiro de 2011
SOBRE A FORMAÇÃO DO ANALISTA
Angela Valore*
Em suas “Novas Conferências”, Freud afirmava que “não tem o direito de se envolver com a psicanálise aquele que não adquiriu, em uma análise pessoal, as noções precisas que somente essa é capaz de oferecer”. Recomendação cujo peso parece, em nossos tempos, assim como é o caso da maioria das nossas leis, encontrar-se preocupantemente relativizado, ou francamente substituído por referências mais ligeiras. Mais como está na moda.
Entretanto, trata-se de um pressuposto ético, a ser tomado com todo o rigor, cujas conseqüências devemos reconhecer. Entre elas, a primeira e sem dúvida a mais grave, define de modo radical o verdadeiro lugar de formação do psicanalista: o divã.
É na análise pessoal que se adquirem as “noções precisas” e também aquilo de que se autoriza um analista, o que dá a alguém o direito de se meter com a psicanálise. Não são os anos passados nos bancos das escolas, ainda que sejam marcados pelos mais sérios estudos.
Lacan alertava que a psicanálise é um remédio para a ignorância. Mas que nada pode contra a idiotice. O que nos impõe concluir que ambas, idiotice e ignorância, pertencem a campos diferentes, mais ainda, que esta última pode ser entendida como uma condição para a psicanálise. Idiota seria, portanto, aquele que não sabe que ignora, tanto quanto o que supõe saber. Para ele, a psicanálise nada tem a oferecer. Já aquele que é capaz de reconhecer que ignora, de supor um saber Outro, estaria vacinado contra a idiotice e a princípio, apto à cura analítica. E, portanto, a suportar as exigências do percurso que leva da posição de sujeito dessa cura à função da escuta que a conduz.
A ética, que nos concerne a todos, coloca diante de nós, a cada passo, a questão “agiste conforme o teu desejo?” de cuja resposta depende a nossa posição na manutenção do discurso analítico. A máxima proposta por Lacan como condição primeira de haver analista, “não ceder do seu desejo”, é uma exigência cujas garantias não podem, em absoluto, ser obtidas a não ser numa análise pessoal.
Se não há analista fora do alcance dessa máxima ética da psicanálise, vê-se bem o que faz um psicanalista. E onde.
Lacan dizia que o analista ocupa o lugar do morto já que ele está ali para oferecer o semblante de que o outro precisa para falar. Não é um lugar fácil de ocupar esse, destituído de consistência e cuja condição é o des-ser, para a qual nenhuma formação prepararia não fosse a análise. Quer dizer, o que é sustentar o ato analítico não se aprende em livros.
Conta-se que Salvador Dali, querendo provocar seus interlocutores, compareceu a um evento com um esparadrapo no nariz. Muito depois, perguntou a Lacan porque este não havia dito nada quando o encontrou com o esparadrapo. E concluiu: “É fantástico, você foi o único a não dizer nada.” A esse respeito, A. Jerusalinsky afirma que o dizer nada fez o laço, o que solda o analisante ao par analisante-analista e conclui que “do real, apenas o recorte que nos permite a intersecção borromeana. Um resto. Mais nada. É disso que o analista é semblante.”
É ainda Jerusalinsky quem nos lembra que, apesar do imaginário popular, que nos representa como as pessoas mais estáveis, os analistas nem de longe são as pessoas mais tranqüilas, como o testemunham “suas biografias, seus amores, as migrações, as cisões, a circulação por diferentes auditórios, cidades...a curiosidade de percorrer os diferentes âmbitos do conhecimento...”
É que é assim que o analista transmite que nada está resolvido e que isso não é um mal. E transmite também que a formação pode ser interminável, na medida em que o analista sabe que o inconsciente não tem fim.
* Angela Valore - psicanalista,presidente e membro-fundadora da LETRA-Associação de psicanálise; analista-membro da Association Lacanienne Internationale (França), Professora na graduação e pós em psicologia e psicanálise na UTP e na PUC-PR.
30 de novembro de 2010
Entrevista com Charles Melman!!!
2 de novembro de 2010
24 de outubro de 2010
"Nunca fomos tão felizes" ou "Quanto custa a felicidade?"
Manchetes recentes em importantes veículos da mídia noticiam que a felicidade é apontada pelas estatísticas como mais um produto de mercado, portanto acessível ao consumo. E, em se tratando de consumo, seu índice se apresenta em crescente medida, proporcional ao aumento dos vários ítens que a tecnociência pode nos oferecer na atualidade.
É notório que a imagem da felicidade está associada a toda e qualquer publicidade, desde as inúmeras variedades de produtos alimentícios , aos remédios, planos de saúde, até de um funeral préviamente planejado.
A afirmação de que "nunca fomos tão felizes" é equivocada, pois foi por termos um dia essa primeira ilusão da plena felicidade e completude que não desistimos de procurá-la. Ilusão esta que sustenta o desamparo próprio do nascituro, que por ver se como pleno no amor do outro, que o acolhe nas suas necessidades vitais, se oferece como objeto de seu gozo. Momentos primordiais da história de todo ser humano quando se instaura a crença que nos sustenta vida a fora, numa busca constante da "terra do nunca", onde nada irá nos faltar.
Podemos então afirmar que felizes são aqueles que puderam perder esta "felicidade", pois este é o preço que se paga para viver /existir ;que deste pleno, deste tudo, possa se perder,se escapar,de ser objeto de gozo do outro(Outro),que aprisiona e paraliza.
Freud (1930) nos adverte em "Mal estar na civilização":'...não podemos pular deste mundo”, pois a busca, a falta, é inerente ao ser humano, a satisfação é sempre parcial. A dor do existir por mais nomes que os diagnósticos médicos possam oferecer , são variáveis do mesmo tema (melancolia,transtorno bipolar,depressão,síndrome do pânico),ela persiste, pois nela mesma reside a condição da vida ,promovendo a civilização com sua cultura e normas .
Nestes tempos onde os civilizados impõe a felicidade instantânea da "capa da revista "(com a perfeição que tanto o "photo shop" como o " face book" possibilitam na seleção de melhores momentos),como um estado perene possível,coloca a todos num movimento hiperativo, sem intervalos ,sem tempos(pois o tempo é um tempo que não se conta ,tempo real). Os espaços necessários, a temporalidade que constrói a história e os sentidos do existir ,da vida, são abolidos .Capturados por essa ânsia e ganância, o ser humano se tranforma em ser objeto a serviço deste gozo ilimitado do sem fim do consumo.
Temendo perder, acabamos por nos perder nesta ilusão d"A FELICIDADE", num estado de nada desejar, de apatia,esquecendo que a condição do desejo é a falta ,que convoca o sujeito a novas posições, novas buscas, novas construções ao seu modo, ao seu estilo,em intervalos que contam histórias.
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Ato Analítico - Marta Dalla Torre e Valéria Codato Antonio Silva
14 de outubro de 2010
Solte essa criança!
Sou grato ao colo da minha mãe. Mas grato mais ainda sou à decisão que ela teve de me "soltar" para a vida |
LEVEI MUITO A SÉRIO na minha infância aquela ordem do Milton Nascimento: "Vida de moleque é vida boa. Vida de menino é maluquinha. É bente altas, rouba bandeira Tudo que é bom é brincadeira".
Na época, minha cadeira de rodas era praticamente uma jamanta de tão grande e desconfortável, mas nada me impedia de ser criança.
Ia para a rua nas férias de julho e soltava pipa até os beiços ficarem rachados de tanto vento na cara. E, com a molecada empurrando minha "embarcação", eu me embrenhava nos matos para brincar de desbravador.
Mesmo tendo as pernas ou a coluna engessadas para tentar reparar a funilaria amassada que a pólio me deixou, minha mãe não me impedia de visitar meu mundo imaginário ao lado dos meus amigos, todos "responsáveis", no alto de seus seis, sete, oito anos.
Aquele ritmo de viver só era quebrado quando aparecia pelo caminho um adulto chato para dizer: "Ele é doentinho? Nooossa, a perninha dele é tão fininha! Ôh, sofrimento, né? Ele não pode ficar na rua, não!".
Lembro-me de ficar meio confuso e cheio de dúvidas com aquelas intervenções. Afinal, para mim, deficiência nunca foi uma doença, eu não me sentia triste com meus cambitinhos e tinha uma infância pra lá de legal, como deveria ser.
Criança pode até festejar ou estranhar as diferenças do amigo que é ceguinho, cadeirantinho, surdinho, mas logo ela deixa tudo para lá, porque o importante é saber brincar, é saber comer areia sem se engasgar, é saber imaginar os monstros e as fadas.
Mas o adulto... esse sim é um mala sem alça que quer proteger a todo o custo, que quer defender sem mesmo haver uma guerra. Se quem não cai não aprende a se levantar, quem não se levanta -por motivos diversos- só aprende que pode voar se não é cercado de um monte de galinha choca o tempo todo.
Foi moleque que descobri, aos pouquinhos, que eu não conseguiria ser o artilheiro do time, mas poderia me arriscar no gol fazendo defesas heroicas com meus braços longos. Foi moleque que percebi que não poderia correr no pique-esconde, mas poderia ser o fiscal da brincadeira para "ninguém roubar!".
Quando gente grande chegava no meio de minhas zoadas de crianças, só era legal quando inventava regras que me ajudavam a brincar "de igual para igual". Mas, quando a ideia era me fazer de "café com leite" porque eu, supostamente, era mais fraco, achava um saco.
Toda criança precisa de cuidados, de atenção, de guias para chegar com segurança às outras fases da vida. Sou grato ao colo da minha mãe, que foi a minha forma de locomoção até os seis anos de idade. Mas grato mais ainda sou à decisão que ela teve de me "soltar" para a vida, de me deixar ter sido criança.
O MUNDO DE EMILLY
Lá no blog, fiz uma semana em homenagem à molecada. Tem dica de filme com história falando de diversidade, tem história de um bebê cujo pai é tetraplégico, tem entrevista com o Maurício de Sousa sobre seus personagens Dorinha, que é cega, Humberto, que é surdo, Luca, que é cadeirante, e Tati, que tem síndrome de Down.
E tem também um ensaio realizado pelo fotógrafo Arthur Calasans sobre o mundo de uma menininha chamada Emilly e sua batalha por uma cidade mais acessível.















