19 de agosto de 2010
Sobre Inibições e Angústia na Adolescência
18 de agosto de 2010
EM NOME DO PAI
Por: Marta Dalla Torre
Valéria Codato A. Silva
Todos reconhecem a díade mãe-bebê como a relação primordial na vida de qualquer ser humano, levando-se em consideração que a criança humana nasce prematura e inacabada, necessitando, portanto, dos cuidados de outra pessoa para sobreviver e, em particular, da mãe. A mãe é aquela que acolhe o bebê desde seu nascimento, e até mesmo antes, ao habitar seu mundo imaginário, oferecendo a ele um lugar a ser ocupado em seu desejo. Através dos cuidados essenciais, a mãe que nutre e protege seu bebê, acima de tudo investe de afetos sua relação com o mesmo e estabelece com ele uma relação exclusiva e excludente que é tão necessária quanto sua ruptura. Através da alternância presença / ausência da mãe, a criança poderá pouco a pouco se diferenciar e separar - se da mesma em busca de sua própria identidade, e isso só será possível quando a mãe alimenta outros desejos e interesses para além de seu bebê. Portanto, é somente a mãe quem poderá transmitir um lugar terceiro entre ela e a criança, e que será ocupado, geralmente, pela presença do pai – um homem para o qual seu desejo de mulher se vê endereçado.
Então, o pai é aquele que “salva” o filho de uma relação dual, indiferenciada e mortífera, na medida em que separando - o da mãe (ao fazer dela sua mulher), o possibilita ingressar no mundo da linguagem, do simbólico, da cultura.
Torna-se desta forma, imprescindível que o pai e a mãe não abdiquem de seu lugar de homem e de mulher para que a transmissão da lei seja possível.
A figura do pai não pode se reduzir a um mero reprodutor biológico, ou como um mantenedor econômico de sua prole. Um pai não pode ser somente “pai-de-nome”. Sua palavra deve registrar uma autoridade, uma lei a preservar a saúde mental dos filhos. Portanto é “em Nome do Pai” que a criança deve abdicar de seu lugar supostamente de plenitude e completude junto à mãe para “des-colar” desta e “decolar” rumo ao social.
Mas, o que temos presenciado nesse contexto pós-moderno em que vivemos?
Diante das mudanças sócio-culturais ocorridas nas ultimas décadas e principalmente desde que a mulher saiu do mundo privado rumo ao público, deixando o ambiente doméstico em busca de outras realizações pessoais e profissionais, os papéis feminino e masculino no contexto da família sofreram alterações. Produziu-se uma mudança radical na maneira de se educar e de se relacionar com os filhos.
Por um lado, houve uma maior aproximação entre as gerações, sendo muito freqüente hoje observarmos pais e filhos fazendo programas em comum, como por exemplo: brincar no play-center, disputar jogos de computadores ou até mesmo soltando pipas e jogando bola juntos. Também é muito freqüente pais exercendo a função de “paternagem” quando se dispõem a auxiliar nos cuidados básicos com a criança (por exemplo trocar fraldas, alimentar, dar banho, etc.)
No entanto, o pai não deve se restringir a executar tais tarefas, nem mesmo se colocar numa posição “semelhante” em relação ao filho, o que conseqüentemente o faz “irmão de seus próprios filhos”.
O mais sério e agravante no momento atual é que à mulher é atribuído um poder incomensurável, o qual reduz a figura paterna a uma presença “dispensável”, quando não incômoda. As produções independentes (tão comuns entre atrizes globais) estão cada vez mais freqüentes.
O que dizer então das atuais possibilidades de concepção do ser humano, diversas da tão conhecida “Relação Sexual”? As manipulações científicas mais recentes na fecundação até mesmo excluem a célula masculina, o que possibilitaria a uma mulher se tornar mãe sem a presença ou menção a um pai, nem mesmo que fosse ele um mero doador anônimo.
Essas mudanças nos papéis masculino e feminino e por conseguinte de maternidade e de paternidade, os insere numa nova cena, na qual a ideologia se resume em consumir e acumular bens, o que não é sem conseqüências, já que seus sinais estão bem evidentes nas novas formas de sofrimento psíquico.
Estes reflexos estão também explícitos no social, onde o declínio do Nome-do-Pai, e a conseqüente indulgência às leis produz uma sociedade órfã. A ausência dessa referência terceira gera alternativas protéticas de organização social nas formações grupais ou bandos delinqüentes, ou ainda numa espécie de apelo à lei detentora nos atos homicidas tão freqüentes em escolas ou lugares públicos.
Não há como dispensar os inúmeros benefícios dos avanços da ciência e tecnologia, nem como retroceder aos velhos moldes da família, abdicando-se das conquistas femininas. Apesar do fascínio deste “Admirável Mundo Novo”, cabe a cada sujeito construtor de sua história e por conseguinte de sua comunidade, uma reflexão sobre o seu posicionamento frente a esta realidade.
9 de agosto de 2010
ATO ANALÍTICO PARTICIPA DO I CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A CRIANÇA E O ADOLESCENTE - 15 A 17 JULHO 2010 - BA
3 de agosto de 2010
ADOLESCÊNCIA E A CLÍNICA PSICANALÍTICA HOJE
21 de agosto
SÁBADO
Na falta de um estatuto próprio desse interlúdio,dizemos que habitam um "entre-duas-leis",do que decorre que,não estando ao abrigo de nenhuma,encontrem-se em um "não-lugar". Mas,finalmente,haveria algo que positivamente podemos afirmar sobre nossos jovens assim exilados,privados de um saber sobre seus deveres e,logo de seus direitos, a mercê de um discurso que oscila entre penalizá-los pela ilegitimidade a que são reduzidos e poupá-los de tudo? Afinal,o processo de mutação que se equilibra mal nessa borda entre o particular e coletivo,entre o subjetivo e o social e que só pode ser entendido como crise,não é sem custos,como o testemunham bem os problemas com as drogas e tantas outras formas de atuação. Em suma,os adolescentes,eles o são em risco. E nós,enquanto adultos,o que temos a lhes propor ?
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2 de agosto de 2010
ATO ANALÍTICO PARTICIPA DE MESA REDONDA NO I CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A CRIANÇA E O ADOLESCENTE - 15 A 17 JULHO 2010 - BA
1 de agosto de 2010
I CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A CRIANÇA E O ADOLESCENTE: CLÍNICA, PESQUISA E CULTURA - Santa Cruz de Cabrália - 15 a 17 de julho de 2010
O psicanalista Alfredo Jerusalinsky ministrou curso pré-congresso intitulado "O que podemos dizer sobre a etiologia do autismo?", introduzindo sua apresentação fazendo uma retomada histórica do conceito de autismo, entrelaçado a uma visão positivista da ciência. Tal visão dá bases para a concepção do autismo dentro da perspectiva da defectologia, que aponta para um funcionamento defeituoso de caráter anátomo-fisiológico nos psicóticos, deficientes mentais, etc. Durante o Séc. XX, pode-se considerar que os autistas foram "órfãos" da teoria psicanalítica, pois eram considerados como fazendo parte das psicoses até a década de 70, quando passou a ser considerado como uma quarta estrutura, e somente na decada de 90 ganhou o status de um quadro próprio, separado de outros.
26 de julho de 2010
I CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE A CRIANÇA E O ADOLESCENTE:CLÍNICA, PESQUISA E CULTURA - Santa Cruz de Cabrália-BA - 15 a 17 de julho de 2010
Na conferência do dia 15 de julho, a psicanalista Marie Christine Laznik discorreu sobre o tema: “Tratamento conjunto pais – bebê em um caso de depressão materna”, através da apresentação em vídeo de seu atendimento clínico ao bebê romeno Lucca, realizado em conjunto: do bebê com a mãe, ora com a mãe e o pai, ora com o irmão mais velho de Lucca , ora também com a avó materna do bebê .
Lucca foi encaminhado para o atendimento com a Dra. Laznik aos 2 meses de idade; até então não olhava, e sua mãe apresentava um quadro depressivo compartilhado com seu bebê.
De acordo com Laznik, há na história de Lucca um real traumático que se repete em três gerações.
A história da avó materna de Lucca é marcada pela morte de seu primeiro filho ainda bebê e, diante de qualquer choro do bebê, objeto de gozo doloroso, há um prenúncio de morte.
A mãe de Lucca, por sua vez, sustenta “o mais de gozar de sua própria mãe” quando, diante do choro do seu filho, se apavora, encaminhando-o para ao atendimento de emergência.
O primeiro filho dos pais de Lucca, que morreu de uma doença neurológica causada por desnutrição, não pode ser velado por seus pais, e este luto permaneceu encoberto como não dito e não elaborado.
Lucca ocupa este lugar do irmão morto e não é olhado pelos seus pais.
Como não ser um puro fantasma do bebê morto?
Laznik em suas intervenções faz um trabalho de intérprete, ao restituir à mãe o valor de ato daquilo que seu filho acaba de fazer, pois se o sujeito é hipótese do Outro, a função do psicanalista é ajudar a restaurar o Outro materno. Assim, a psicanalista fala com Lucca, pois “..fala somente é fala à medida exata que alguém acredita nela”, conforme afirma Lacan - O seminário-livro 1, dando voz e sentido ao choro ou qualquer manifestação daquele bebê. Cortes que vem operar na massa sonora escutada e que precipitam uma significação, restituindo um sentido ao bebê, em detrimento de tantos outros.
No decorrer do trabalho com a psicanalista, a mãe reencontra a capacidade de falar com seu bebê. Certas formas de depressão materna podem impedir a mãe de ter esta competência.
Graças a uma identificação em espelho com a analista, a mãe reencontra uma imagem valorizada de seu filho, e rapidamente corporifica o fato de crer que os enunciados da criança constituem uma mensagem.
Ao entrar com a função paterna, incluindo o pai no jogo, retira a repetição do traumático, rompendo-a.
Após um ano e meio de atendimento, Lucca já mostra no jogo a incorporação de seu mundo representacional internalizado, livre de distúrbios psíquicos mais graves.